O Governo angolano (do MPLA desde 1975) exortou hoje os sistemas financeiros africanos a potenciarem as vantagens de África na economia global com mais financiamento ao sector privado que permanece limitado por insuficiência de crédito.
O apelo foi feito pelo ministro de Estado para a Coordenação Económica de Angola, José de Lima Massano, na abertura da sexta edição da AFIS, a cimeira que junta durante dois dias em Luanda a alta finança africana.
“Making Capital Count: Unlocking Growth Through African Finance” – transformar a capacidade de mobilização financeira em crescimento económico efectivo é o lema da AFIS 2026, organizada pelo Jeune Afrique Media Group em parceria com a International Finance Corporation.
A sexta edição da AFIS junta na capital angolana mais de mil participantes responsáveis de instituições financeiras, bancos, seguradoras, empresas tecnológicas e organismos reguladores africanos e internacionais. Bem ao lado, mais de 20 milhões de angolanos continuam a ter aulas para aprender a viver sem… comer.
Na abertura dos trabalhos, o ministro José de Lima Massano observou que o mundo vive uma época de profundas transformações, marcada por incertezas geopolíticas, volatilidade financeira, fragmentação comercial, transições energéticas complexas e rápidas mudanças tecnológicas.
Para o governante angolano, África entra nesta nova fase da economia global com “vantagens significativas”, destacando a população jovem, recursos naturais estratégicos para as cadeias globais de valor e um mercado continental em construção através da Zona de Comércio Livre Continental Africana.
“Contudo, a transformação económica depende da capacidade de atrair investimento, de converter poupança em investimento produtivo, financiar empresas competitivas, apoiar o empreendedorismo, desenvolver infraestruturas e criar oportunidades para os cidadãos”, vincou.
O ministro defende que este objectivo depende de políticas económicas assertivas (o que não acontece em Angola), mas também da qualidade, profundidade e eficiência dos sistemas financeiros africanos.
Massano alertou que o crédito aos sectores da agricultura, indústria transformadora e pequenas e médias empresas em África permanecem limitados e insuficientes defendendo o aprofundamento da integração regional para a solidificação do futuro financeiro do continente.
José de Lima Massano explicou que os indicadores do sector bancário africano revelam uma realidade encorajadora. As receitas bancárias do continente ultrapassaram os 100 mil milhões de dólares (89,4 mil milhões de euros, ao câmbio actual) em 2024, com níveis de rendibilidade comparáveis aos dos principais mercados emergentes.
“Temos no continente instituições financeiras cada vez mais rentáveis, mas o crédito ao sector privado permanece limitado em muitas das nossas economias”, afirmou.
O ministro insistiu que sectores como o da agricultura, da indústria transformadora, assim como operadores de pequenas e média dimensão, “continuam insuficientemente financiados”.
Estimou que cerca de 85% do emprego em África se encontre na economia informal, considerando que esta realidade “limita a arrecadação fiscal e restringe o acesso aos serviços bancários e ao crédito”. Isso não impede, citando o dono do país, general João Lourenço, que o “MPLA tenha feito em 50 anos mais do que os portugueses em 500”.
O governante defendeu que a digitalização dos serviços financeiros, incluindo a utilização de soluções baseadas em inteligência artificial, pode contribuir para a redução de custos, criar novos instrumentos de avaliação de risco e assim alargar o acesso aos serviços financeiros por empresas e cidadãos que não dispõem das garantias formais normalmente exigidas pelo sistema bancário.
Para José de Lima Massano, a AFIS 2026 representa uma oportunidade de reflexão sobre os desafios que o continente enfrenta e, sobretudo, sobre as soluções que se devem construir para assegurar uma trajectória de desenvolvimento sustentável, inclusivo e soberano para África.
Defendeu, também, que o futuro financeiro de África dependerá igualmente da nossa capacidade de aprofundar a integração regional, recordando que os custos associados aos pagamentos transfronteiriços “continuam a representar um obstáculo ao comércio intra-africano”.
O Sistema Pan-africano de Pagamento e Liquidação e iniciativas em curso de interligação dos mercados de capitais africanos, “podem aproximar (África) da arquitectura financeira necessária para acelerar a integração económica do continente”.
Relativamente a Angola, Massano garantiu que o país está em profunda transformação económica (poucos e todos do MPLA com muitos milhões, e muitos milhões com pouco ou… nada), sinalizando que regista uma economia que se diversifica, que se abre ao investimento e à iniciativa privada e que apresenta um dinamismo crescente.
Aludiu às projecções do Fundo Monetário Internacional de Abril passado que colocava Angola como a sexta maior economia de África, com um Produto Interno Bruto nominal estimado em cerca de 152 mil milhões de dólares, posicionando-se como a terceira maior economia da África subsaariana.
“Mas, mais importante do que a dimensão da economia é a transformação que está a ocorrer na sua estrutura produtiva”, sustentou, destacando que a agricultura (enquanto se esperam ordens superiores para plantar as couves com a raiz para baixo) e a pecuária, a indústria transformadora (…) “estão a assumir um papel crescente” na actividade económica nacional, disse.
Existe, assim, a esperança que em breve o reino do MPLA consiga atingir níveis de desenvolvimento económico próximos dos conseguido pelos portugueses antes da independência.
